O Conselho Nacional de Combate ao SIDA (CNCS) realizou, esta quarta-feira (15 de Julho), na cidade de Maputo, um workshop de apropriação institucional da campanha “Usa Preservativos – Fazes Bem”, uma iniciativa implementada em parceria com o Project Last Mile (PLM), com financiamento do Fundo Global, destinada a reforçar o acesso e criar a demanda dos preservativos gratuitos.

O encontro reuniu Secretários Executivos dos Conselhos Provinciais de Combate ao SIDA, representantes dos Ministérios da Saúde (MISAU) e da Educação e Cultura (MEC), Instituto Nacional da Juventude (INJ), organizações da sociedade civil, técnicos do CNCS e dos Conselhos Provinciais de Combate ao SIDA (CPCS), organizações da sociedade civil, bem como parceiros de cooperação.
Na abertura do evento, o Secretário Executivo do CNCS, Dr. Francisco Mbofana, destacou que a prevenção continua a ser uma prioridade estratégica na resposta nacional ao HIV, sobretudo entre adolescentes e jovens, grupo que permanece desproporcionalmente afectado pela epidemia.

“O país registou uma redução de cerca de 54% das novas infecções entre 2010 e 2025. No entanto, apesar deste progresso, o país registou cerca de 77 mil novas infecções em 2025”, considerando que este ritmo de redução ainda é insuficiente para alcançar as metas globais de eliminação da epidemia.
O dirigente sublinhou que as adolescentes e mulheres jovens continuam a enfrentar maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV, salientando que, para cada nova infecção registada em rapazes, ocorrem aproximadamente três entre raparigas e mulheres jovens.
Segundo o Secretário Executivo, embora Moçambique tenha recentemente introduzido novas tecnologias de prevenção, como o Lenacapavir (LEN), o preservativo continua a desempenhar um papel insubstituível na resposta ao HIV.
“O preservativo continua a ser uma das ferramentas de prevenção mais eficazes. Dados da ONUSIDA demonstram que, entre 1990 e 2019, o uso do preservativo evitou cerca de 117 milhões de novas infecções por HIV em todo o mundo”, referiu.
O Secretário Executivo do CNCS destacou ainda que aumentar apenas a procura pelo preservativo não é suficiente sem garantir a sua disponibilidade nos locais e momentos em que as pessoas dele necessitam. Por essa razão, explicou, a parceria entre o CNCS e o Project Last Mile procurou actuar simultaneamente em duas frentes: reforçar a acessibilidade, aumentando a disponibilidade dos preservativos e desenvolver uma campanha de comunicação orientada para a criação de demanda.
Na ocasião, o representante do Project Last Mile em Moçambique, António Mabuiangue, explicou que o workshop assinala a conclusão do processo de desenvolvimento da campanha “Usa Preservativos, Fazes Bem”, resultado de um trabalho conjunto entre o PLM e o CNCS.
Segundo Mabuiangue, antes da concepção da campanha foi realizado um amplo processo de investigação qualitativa e quantitativa para compreender os principais desafios relacionados com o uso do preservativo e identificar os factores que influenciam o comportamento dos diferentes públicos-alvo.

Como parte deste processo, foram desenvolvidos e testados diversos materiais de comunicação, incluindo cartazes, spots radiofónicos, conteúdos digitais, radionovela, que serão objecto da campanha a nível nacional.
A sessão representa um passo importante para reforçar a apropriação institucional da campanha pelo CNCS a todos os níveis, e pelos diversos parceiros da resposta multissectorial ao HIV, criando as bases para uma implementação coordenada e sustentável de uma campanha.